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“OLHAR”

“Olhar” pode ser um bom programa de quaresma!

Entendido na sua forma passiva – deixar-se olhar – leva-nos à oração contemplativa, ao encontro amoroso com Deus que nos olha com um olhar de amor e complacência, um olhar que cria, nos recria e se compraz na obra saída das suas mãos. Deixar-se olhar por Deus é deixar-se amar. Bem o compreendeu o camponês de Ars: “Eu olho para Ele e Ele olha para mim”. O olhar de Deus limpa, enriquece, ilumina, faz-nos ver dentro de nós mesmos.

A contemplação é uma forma de aprender a olhar a realidade da vida quotidiana, os outros, cada um a si mesmo, com a ternura do olhar de Deus. A partir deste olhar adquirimos uma nova visão de nós mesmos e do mundo e poderemos fazer belas e autênticas descobertas.

Entendido em sentido activo – olhar, observar, prestar atenção – coloca-nos na direcção certa, evangélica: abre-nos à relação com o outro, com as coisas, com o mundo. E quanto mais o nosso olhar estiver iluminado pelo olhar de Deus, mais será capaz de revelar, limpar, iluminar, libertar, salvar.

Era assim o olhar de Jesus que acompanhava todos os seus gestos e palavras, penetrando mais fundo nas verdadeiras necessidades daqueles com quem se cruzava.

Nesta quaresma Bento XVI convida-nos a olhar. Este olhar deve ser orientado em várias direcções: para o alto, isto é, para Deus que nos olha amorosamente; para dentro, isto é, para o nosso interior, aceitando a ajuda do olhar que nos rodeia e nos ajuda a ver melhor; para o lado, isto é, para os outros, vendo o positivo mais que o negativo, prestar atenção às suas necessidades do corpo ou da alma e dispor-se a caminhar juntos para a santidade. É uma bela proposta de caminho quaresmal que nos ajudará a ver o ressuscitado nas formas variadas em que Ele se apresenta.

Irmã Ilda Ribeiro Gomes Tomás

Superiora Geral

 
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PRIORIDADES,

DESAFIOS E

INTERPELAÇÕES

À VIDA CONSAGRADA

 
No dia 15 de Janeiro, da parte da manhã, após a eucaristia, um grande número de irmãs vindas das diferentes comunidades da Província de Cristo Rei, participaram num encontro orientado pela irmã Isabel Maria Monteiro, Secretária Geral, que nos falou sobre as “Prioridades, os Novos Desafios e Interpelações para a Vida Consagrada”.


Depois de uma breve contextualização sobre os fenómenos da globalização que nos apresenta o Mundo como uma aldeia global, do esclarecimento do sentimento de fugacidade e da transitoriedade, da insegurança, do não querer ficar para trás, nem atrás de ninguém, da mudança dos “mundos” culturais e religiosos, da grande instabilidade em que vivemos e ao mesmo tempo envoltas por um clima de violência crescente, não podemos ficar indiferentes, nem cruzar os braços, é necessário entrar em ação e mover-se; atualizar-se; modificar-se, desprender-se; reestruturar-se, ou seja adequar atitudes e projetos para que estes se convertam em desafios.


Assim sendo, temos que ter como prioridade a centralidade da pessoa de Jesus Cristo e ao mesmo tempo conhecê-Lo de forma experiencial através da Sua Palavra, da Lectio Divina tendo a Eucaristia como lugar privilegiado.


É urgente viver uma espiritualidade encarnada, vital e fraterna, numa perspetiva de fé de modo a passar do ver ao conhecer e deste ao saber. Descobrir Deus em tudo de maneira a que possamos integrar tudo. Uma espiritualidade vivida em contacto com a realidade, em abertura à conversão e com exigência de radicalidade.


Para tal necessitamos de viver a dimensão profética da vida cristã; Ter especial atenção pelos mais pobres e necessitados a exemplo da nossa Fundadora; Dar testemunho profético em Comunidade religiosa, na simplicidade e na partilha de bens; Ter sempre presente a formação permanente e estar aptas para a mudança.


Novos desafios e interpelações nos são colocados nos dias de hoje:
A inserção na Igreja local; favorecer a criação de comunidades novas, mais simples e mais próximas do povo; viver uma espiritualidade como força unificadora; ser testemunha da transcendência e presença de um Deus compassivo; testemunhar um novo humanismo com as pessoas; aprender a perder o protagonismo do passado; dar existencialmente aos votos um sentido inteligível: a castidade como “opção livre para novas relações de igualdade, respeito e verdadeira reciprocidade”; a pobreza como “uma nova gestão dos bens da criação” e a obediência como “uma nova compreensão das relações de poder”.
Cabe-nos entrar neste desafio com o espirito da inculturação e da interculturalidade com “discernimento, audácia, diálogo e provocação evangélica”, sem medos nem receios e conscientes das dificuldades inerentes a todo o processo. Testemunhando com a vida a pessoa de Jesus Cristo.

 
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Juntaram-se…

128 anos de vida é  muito tempo, cronológica e vitalmente. E sendo família, juntamo-nos para dar graças a Deus pela VIDA e existência de um sonho que começou com duas grandes mulheres, Mary Jane Wilson e Maria Elisabeth de Sá, que se juntaram a 15 de janeiro de 1884, para fundar  a família religiosa de que hoje somos continuadoras, das Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias.

Cada ano traz consigo inumeros desafios e oportunidades. E cada um leva-nos a sussurar, como que em jeito de exame de consciência, “Quantas graças, e quantas dificuldades vencidas pelo Seu poder invencível e pela intercessão da nossa queridíssima Mãe das Vitórias”.

Herdeiras de um Carisma único e sempre actual, espalhadas pelos 4 continentes que albergam uma presenca vitoriana, desejamos ser hoje centelhas de amor, do mesmo amor que levou Mary Jane Wilson a não medir meios, nem mesmo forças humanas para espalhar o bem, e que conseguiu a promoção humana, espiritual e social de tantos homens e mulheres, desde crianças a idosos.


Foi uma sinergia que não deixou alheia a realidade madeirense de então, e cujos frutos, de forma discreta, ainda hoje se continuam a saborear, sobretudo graças à intercessão da Irmã Wilson, a Boa Mãe do Povo Madeirense, e de todos aqueles que a ela recorrem em suas necessidades.


Este fim de semana, toda a família wilsoniana rejubila na celebração de mais este aniversário. É um momento de festa, de partilha, de encontro e de reecontro com a origem deste projecto querido e desejado por Deus. É a hora de celebrar a memória que se faz vida em cada vida, que se junta para dar voz, alma e coração ao lema que nos une: A caridade é o vínculo da perfeição. Este é o desejo da nossa querida Boa Mãe que nos quer acompanhar, e que jamais se permite um minuto de descanso até que o Reino de Deus chegue até aos confins do mundo, tal como era seu desejo.

 
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Feliz aniversário

“Nesta hora de memória e de louvor,
A nossa alma canta agradecida
A presença de Deus Nosso Senhor
Na história percorrida.”


Sim, Deus revela-se presente nesta história que já vai longa.

São já 128 anos de vida, feita de “alegrias e tristezas, esperanças e receios, graças e dificuldades vencidas, pela intercessão da queridíssima Mãe das Vitórias”.

Estes 128 anos falam-nos de gerações de pessoas que, atraídas por um ideal nobre, entregaram-se generosamente a Cristo, partilharam as suas vidas e serviram o Senhor nos irmãos necessitados; sacrificaram-se renunciando ao próprio bem estar para proporcionar um bem maior aos outros; lançaram-se em iniciativas de promoção humana, social e espiritual, esquecendo-se de si; numa palavra: pessoas que amaram e continuam a amar, a viver, morrer e ressuscitar em cada dia pela força do amor.

Estes anos falam-nos também infelizmente, de incertezas, enganos, fracassos; falam-nos de fraquezas, egoísmos, faltas de coragem infidelidades no amor e na doação.
Como nos diz Irmã Wilson, “tudo isto é bem verdade”, mas a verdade é muito mais do que isto. A verdade maior é a beleza da graça divina atuando no meio e através desta pobre e frágil natureza humana e fazer coisas maravilhosas.


Tal como São Paulo, também nós confiamos que “É na fraqueza que a força de Deus se manifesta”. É na consciência desta fraqueza e no esforço quotidiano de maior fidelidade que a graça de Deus penetra, transforma e renova.


É por isso que continuamos hoje esta história, confiantes no futuro, no amanhã que Deus reserva para esta querida Congregação.
Parabéns! Feliz Aniversário.

 
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Um Conselho Alargado “itinerante”

Realizado a meio do sexénio do mandato do actual Governo Geral, de acordo com a nossa legislação, está a decorrer desde o passado dia 26 de Dezembro, na Ilha da Madeira, o Conselho Alargado (Assembleia geral) da Congregação. Nele participam dezoito Irmãs, representativas de toda a Congregação, provenientes dos quatro continentes onde está presente a Congregação: Europa, África, América e Ásia. Esta assembleia, que tem como tema principal Mística e Profecia Vitoriana: Ontem, Hoje e Amanhã, iniciou-se com uma celebração eucarística, presidida pelo bispo da diocese do Funchal, D. António Carrilho, na capela da Quinta das Rosas, lugar onde se encontram os restos mortais da Ir. Wilson, nossa Fundadora, e prolongar-se-á até ao dia 01 de Janeiro de 2012. À noite, e já na Comunidade do Colégio de Santa Teresinha, a Irmã Ilda Ribeiro Gomes Tomás, Superiora geral, fez a abertura oficial do encontro. Começou por dar as boas-vindas às Irmãs presentes, agradecer a sua disponibilidade e proferindo umas breves palavras que apontavam para o tema a aprofundar, definiu Mística e Profecia, salientando que “A nossa fundadora fez o que fez porque tinha mística, e porque esta era autêntica, tornou-se profecia. (…). O carisma que nos deixou é profético, ele mostra ao mundo que Deus está connosco, nos ama e cuida de nós”. A terminar e explicando a realização do encontro na Ilha da Madeira, afirmou: “…estamos aqui, nesta terra que foi testemunha da mística e profecia de uma mulher que deixou marcas, continuadas no tempo. Estamos aqui porque (…) queremos ser discípulas e continuadoras fiéis (…) Viemos aqui não para ficar aqui, mas para receber a tal força interior que move, a mística, o ideal que nos puxa para a frente. Estamos aqui porque queremos ser futuro”.
Durante estes três primeiros dias iremos reflectir, com a ajuda de algumas Irmãs da Congregação, sobre essas duas realidades que são inseparáveis “Mística e Profecia”, fortemente presentes na vida e missão da Ir. Wilson, e o modo como foram e estão a ser vivenciadas na nossa família religiosa, hoje.
Este é um Conselho Alargado diferente dos anteriores, pelo facto dos encontros de reflexão e trabalhos de aprofundamento, acontecerem, durante alguns dias, nas Comunidades que reenviam para os inícios da Congregação.
 
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Pensamento do dia

“Deus é tão bom para comigo! Ajuda-me a entregar-lhe todos os meus cuidados e também os vossos. Estou inteiramente convencida de que Ele «toma cuidado de nós»”.
Mary Jane Wilson